A rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários realizada nesta terça-feira (4) foi marcada pela ausência de uma proposta econômica por parte da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Em vez de avançar nas discussões sobre reajuste salarial, a representação patronal apresentou uma série de documentos questionando a proposta financeira defendida pela Comissão Executiva Bancária Nacional de Negociação (CEBNN/CONTEC).
Os negociadores da Fenaban alegaram que a reivindicação de reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 5% de ganho real, não seria compatível com os impactos financeiros decorrentes das demais cláusulas econômicas constantes da pauta de reivindicações.
Segundo a representação dos bancos, ao considerar o conjunto das propostas apresentadas pela CONTEC, envolvendo salários, pisos, vales, auxílios e demais verbas econômicas, o impacto global da Convenção Coletiva ultrapassaria 70%, percentual que, na avaliação da entidade patronal, demonstraria uma suposta discrepância entre o reajuste salarial pleiteado e os demais itens econômicos.
Com base nesse entendimento, a Fenaban solicitou a suspensão do avanço das negociações para que a comissão dos trabalhadores apresente esclarecimentos sobre a metodologia utilizada na construção da pauta e a relação entre os percentuais reivindicados nas diversas cláusulas econômicas.
Para a bancada dos trabalhadores, a postura da Fenaban representa mais um adiamento das discussões efetivas sobre a valorização da categoria. A expectativa da representação sindical era de que esta rodada resultasse na apresentação de uma proposta concreta para salários e demais direitos econômicos, o que não ocorreu.
Diante dos questionamentos apresentados pela representação patronal, a Fenaban adiou a apresentação de sua proposta econômica para o próximo dia 13 de agosto de 2026, quando as negociações serão retomadas. Até lá, a comissão dos trabalhadores analisará os argumentos apresentados pelos bancos e responderá tecnicamente aos pontos levantados durante a reunião.
O presidente da FEEB ALPERN, Gustavo Walfrido, que integra a Comissão Executiva Bancária Nacional de Negociação da CONTEC, criticou a postura adotada pela representação dos bancos.
“Os bancos tiveram tempo suficiente para analisar nossa pauta de reivindicações e construir uma proposta. Infelizmente, optaram por adiar mais uma vez a negociação, levantando questionamentos que serão devidamente respondidos pela nossa comissão. Esperamos que, no dia 13 de agosto, a Fenaban compareça à mesa com uma proposta concreta, compatível com os lucros recordes do sistema financeiro e com a dedicação dos bancários, que são os verdadeiros responsáveis por esses resultados.”
A Comissão Executiva Bancária Nacional de Negociação reafirma que continuará defendendo a reposição integral da inflação, acrescida de 5% de ganho real, além da valorização das cláusulas econômicas e sociais da Convenção Coletiva de Trabalho.
A expectativa da representação dos trabalhadores é que a próxima rodada, marcada para 13 de agosto, represente o início efetivo das negociações econômicas, com a apresentação de uma proposta capaz de atender às legítimas reivindicações da categoria bancária.





